domingo, 19 de julho de 2009

Sempre passa

Eu acordei de madrugada e tive um sonho que me deu muito medo, acordei chorando e pensei que as pessoas haviam me esquecido aqui e tinham ido embora, havia sangue, lágrimas, saudade e sentimentos ruins, ninguém entenderia, ninguém. Foi quando, sem querer, eu lembrei que você sim, se importava com as minhas coisas (ou finjia), nessa hora era dor que escorria dos meus olhos. Eu quis te ligar, eu peguei o celular e talvez eu tenha tentado, não lembro. Mas antes ue li uma única mensagem que eu tinha, a sua, sim, eu guardei, faz tempo, mas está lá. Eu chorei e tudo rodou, como aceitar que você não estava mais do outro lado da cidade acordado pensando em mim? Me passou várias imagens e sentimentos, bons e ruins, eu chorei, segurei firme no celular e talvez tenha apertado o botão pra ligar, depois, eu apguei, lembro da imagem contorcida que vi no meu sonho, alguém estranho e horrivel, eu acho que fiquei alguma horas assim, vendo as coisas em uma forma estranha, fiquei muito tempo sentindo saudade e escorrendo lágrimas pelo meu corpo, talvez você tenha atendido, ou não, ninguém me falou cobre isso. Quando vi tudo claramente, não estava na minha cama, era tudo branco e quente, tinha ar de vazio e coisas ruins pairavam pelo ar, não, aquilo não era a minha casa. Olhei pro lado e fiz um esforço enorme pra arrumar o meu cabelo, não tinha ninguém comigo, só uma TV desligada, uma janela grande com uma cortina bonita e uma poltrona grande e aconchegante (parecia), eu estava deitada, ou quase sentada, disse qualquer coisa e mais uma vez em silêncio chorei, alguém entrou no quarto, alguém de branco e virando o meu rosto disse que agora eu estava bem, eu não o conhecia, mas tinha uma segurança em algo que tinha me acontecido, no mesmo instante ela, a minha melhor amiga, ela, foi ela que entrou e a primeira a me abraçar, chorando ela disse que estava com medo do pior, eu dei um sorriso falso e disse que estava bem, não sabia o que tinha acontecido, mas eu estava bem. Ela me olhou nos olhos e como quem diz "que bom que você está aqui, de novo, bem!", pegou na minha mão e colocou um bilhete nela, saiu em silêncio e devagar, com medo de fazer barulho, fechou a porta, me senti tão presa, tão sozinha, olhei pro teto e abri papel meio amassado, li, devagar.


Você me ligou, eu vi. Você me acordou, mas eu entendo,
mas eu espero que você entenda que o tempo passa
e que as vezes temos que aceitar o que a vida ou destino
querem para nós. Me desculpe, mas a dor passa, eu já
senti isso, por você, lembra? E passou, a dor passou.
beijo.

Pareceu sonho, filme, e se fosse, eu sabia, você ia entrar pela porta e iria me dar um beijo, ia amassar o bilhete e pedir desculpa por ser tão bobo. Mas isso não é filme, ele não entrou. Eu queria algo igual o da madrugada, eu queria, ma seu não podia fujir de novo, não agora... eu vi que era a melhor hora para que eu tirasse dos olhos a lágrima e a dor e enfrentasse tudo, definitivamente tudo, a dor ia passar, eu sabia, ia passar.