Eu demoro pra dormir e quando enfim consigo sonhar com alguma coisa, a insônia entra devagar, com a ponta dos pés e me dá um beijo no rosto, susurra qualquer bobagem no meu ouvido e senta na beirada da cama e espera pacientemente o meu sono ir embora, devagar como veio, depois, ela me conta algumas coisas da vida e me faz pensar mais uma vez em você, é engraçado como os meus assuntos com ela, comigo mesmo e com as lágrimas, são só você, só falamos de você. Quando acordo, queria não ter acordado, vou sair de casa com um aperto maior do dia anterior, vou chorar e vou querer te ligar, o seu celular, você mudou e acho que esqueceu de me dar o número ou fez propositalmente (foi isso!), mas eu acho que você não deve mais ter o meu número e tirou-o da memoria, deve ter guardado a minha carta, a que eu escrevi chorando, no fundo da gaveta de gravatas, aquela que você nunca abre, talvez nem lembre o meu nome e muito menos do nosso apelidinho. Porque você não me vê quando eu passo na sua frente, você não abre um sorriso e nem olha com o canto do olho, você não me nota, você esqueceu do meu perfume, mas eu não esqueci do seu e hoje a tarde, quando voltava pra casa, olhando como deve existir alguma coisa por trás da rua escura, quando alguém passou depresa por mim, com um perfume pareceido com o seu, no mesmo instante meu coração e o meu abraço pediu e implorou por você, em algum lugar desse mundo, pra que viesse logo e me desse a mão, mas parece que ninguém atendeu ao meu pedido e em vez disso me ofereceram um mundo sozinha, sem você, o mais dificil... sem você!
- E se você me matasse?
- Seria bom, mas não resolveria os meus problemas, nem os seus
- POR FAVOR, é o que mais preciso agora.
- Eu estou muito ocupado agora pra me preocupar com você, estou atrasado demais pra te matar.
- (...)
- Daqui a pouco eu volto, se você ainda quiser eu posso fazer esse favor pra voce (:
- Eu espero, eu vou querer, pode ter certeza!
As vezes uma conversa idiota com um amigo distante, ausente, que trás saudades, faz bem, um pouco bem.