De repente, tudo muda. Como uma ampulheta, nós viramos de cabeça pra baixo, e por mais que nosso tempo pareça ter acabado, continuamos virando-a num período profundamente confuso, ligeiramente tentamos nos dispersar para parecer que esquecemos como tudo começou quando começamos a virar esse devastador cronograma de como devemos ser, de como iremos agir, e qual será nosso próximo pensamento, nosso próximo silêncio. Eu culparia o tempo; se voltássemos alguns meses, dias... se voltássemos cerca de setecentos e vinte horas, se tivéssemos parado por ali, se... se o tempo não passasse, eu culparia o que mais? Nossa fraqueza e fracasso? Nossos erros, manias, alegorias? O desperdício dos nossos carinhos e afagos? Nós culparíamos nós mesmos, um ao outro. Se não puder também culpar o tempo, não poderíamos dizer que devido a ele começamos a culpar realmente um ao outro e não mais nós mesmos, não nos renderíamos. Mas então é tão mais fácil, da minha parte, culpar o tempo. Ele não me daria escolhas, eu apenas saberia que ele está certo. Mas na verdade, o tempo, nesse caso, é culpado pelo fato de não querer me culpar, de não querer enxergar que você anda crescendo e que, de uma forma ou de outra, você vai se cansando de algumas coisas, você vai deixando de ser quem era. É mais fácil culpá-lo do que ver você e eu desfiando, degenerando, parte por parte, um por um. E até quando vamos tentar voltar? Quando vamos conseguir? A partir de hoje, eu realmente não sei mais. Não sei se devo,
se quero.
Te amo