sexta-feira, 29 de maio de 2009

É só saudade...

Tive que aprender, na marra, a lidar com a saudade que nunca vai passar. A saudade de quem foi embora pra sempre. E sempre quis escrever isso, mas nunca antes tive coragem. Ou, talvez, nunca tenha tido forças. Começo e, de repente, não consigo mais teclar.

Se eu soubesse que aquele almoço naquela tarde de domingo, seria o nosso último passeio juntos a última vez que eu fosse te ver sorrindo, lúcido, eu teria te abraçado mais forte e teria dito o quanto você é amado por mim, aliás não me lembro de ter lhe dito isso em nossas vidas. Teria atrasado meu compromisso ou talvez até desmarcado, só para conversarmos mais. Pra lembrar do seu sorriso e principalmente dos teus sábios conselhos, das nossas brincadeiras. Pra contar casos que agora eu não posso mais te contar. Coisas que não fazem sentido pra mais ninguém, mas pra gente fazia. E como. Queria que você andasse comigo de carro, lembra? Era um sonho nosso. Queria ter te contado a minha decisão de morar sozinha.

E das vezes que eu fiquei triste por uma paquera ou um namorado mal resolvido. Menina ainda. Você sempre me sorria. E me dizia palavras que pareciam resolver todos os problemas daquele momento. E que na verdade nem eram problemas e sim, coisas tão banais. E você, mesmo assim tinha toda a paciência do mundo, me socorria e me fazia rir de mim mesma.

E o radinho que você me deu? Está na minha casa até hoje. Aquela sua inocência de menino que nunca passou. Uma pessoa boa que pensava que o mundo era bom também.

Por um ano, guardei seu presente de aniversário. Por falta de tempo pra gente se encontrar e eu poder entregá-lo pessoalmente a você. Já era quase o outro aniversário quando nos encontramos pra aquela que seria a nossa despedida. Quis Deus que eu tivesse te entregado seu presente de aniversário naquele dia. Não fosse isso, não me perdoaria por não ter achado um tempo que fosse pra te encontrar.